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Onde encontro informações confiáveis? Como fazer uma boa pesquisa?

  • Foto do escritor: Daniel José Scheliga
    Daniel José Scheliga
  • 14 de set. de 2025
  • 4 min de leitura

Um descritivo geral por onde começar a sua pesquisa e quais são os pontos mais importantes para serem observados

A Ciência está constantemente mudando e ampliando o conhecimento sobre a vida. Informações que antes não podiam ser validadas, atualmente graças a tecnologia, podem ser colocadas a prova, gerando um grande volume de informação. Isso é importante pois, a construção do conhecimento continua, não há apenas uma verdade absoluta sobre determinado tema. Um novo estudo pode trazer novas informações e complementar o que conhecemos até então. Mas, quando estou começando uma pesquisa, por onde começar?


Bem, o primeiro passo é conhecer melhor o tema e você pode começar pelo Google Acadêmico, que traz artigos de diversas bases de dados, ligando à página ou diretamente ao arquivo. O Google Acadêmico também conta com uma área de perfil para pesquisadores, apresentando quais e quantos artigos já foram publicados e citados, mostrando também os coautores que normalmente estão envolvidos nos trabalhos e quais dos artigos são de acesso público.


Exemplo de perfil no Google Acadêmico. Fonte: Google Acadêmico
Exemplo de perfil no Google Acadêmico. Fonte: Google Acadêmico

Acessando os primeiros artigos, é importante você observar quais são as suas palavras chaves, localizadas logo após o resumo. Esse termo, palavra-chave, é importante, pois ajuda a filtrar a pesquisa, elas sintetizam um conjunto de informações. Pois quando são pesquisados artigos de um determinado tema, não são utilizadas frases extensas ou perguntas, mas palavras ou pequenos trechos que remetem a informação de interesse. Conhecendo as palavras chaves, você pode optar por outros locais que reúnem artigos de diversas áreas da Ciência, como o SciELO e Periódicos Capes. Mas, também existem páginas específicas para uma área, como é o caso do PubMed, que reúne revistas e trabalhos no campo da Saúde.


Exemplos de bases de dados para pesquisa de periódicos científicos
Exemplos de bases de dados para pesquisa de periódicos científicos

E indiferente da base de dados citadas, também existem conectores lógicos e símbolos, AND, OR, NOT, “” (), que refinam sua pesquisa. Com eles você pode retirar artigos que não ajudam na sua pesquisa. Por exemplo, você pode focar em artigos que só envolvam o Brasil ou então que envolvam apenas humanos, não incluindo outros animais. Você pode usar esses conectores de maneira manual ou então usá-los através da busca avançada que deixa o seu uso mais intuitivo.


Uso dos conectores na pesquisa. Fonte: Periódicos Capes
Uso dos conectores na pesquisa. Fonte: Periódicos Capes

Vale destacar a página Research Gate, uma rede social para pesquisadores. Aqui são reunidos artigos de diversas áreas, contato de pesquisadores e a sua rede de trabalho, algo semelhante ao Google Acadêmico. Porém, essa página também permite abrir discussões e postar dúvidas sobre determinado tema. Então, se durante a pesquisa surgir alguma dúvida, o Research pode ter a resposta para ela.


O ResearchGate é um exemplo de rede social científica que permite encontrar artigos de diversas áreas. Fonte: ResearchGate
O ResearchGate é um exemplo de rede social científica que permite encontrar artigos de diversas áreas. Fonte: ResearchGate

Além dessas bases que englobam diversos periódicos científicos, existem sites voltados apenas para uma grande marca de revista cientifica, os mais conhecidos são a Nature e Science. Porém, existem outros exemplos como a Elsevier e Plos One que, também possuem uma variedade de revistas lançadas, cada uma abordando uma área específica da ciência.


E, os periódicos sendo provenientes das revistas ou das bases indexadores, comentadas acima, são formados por um corpo editorial, que avaliam os trabalhos antes das publicações, indicando melhorias. Durante a pesquisa, observar a presença de um corpo editorial é um dos pontos importantes para avaliar se uma revista é boa ou não, pois indica a ocorrência de avaliação em pares (do inglês peer review), importante no meio acadêmico para validação dos trabalhos e projetos.


O processo de revisão por pares. Fonte: Adaptado de Li, 2022
O processo de revisão por pares. Fonte: Adaptado de Li, 2022

Outro meio de analisar a qualidade das revistas, são as métricas para periódicos; exemplos são o fator de impacto e Qualis. Esses, são parâmetros que elencam os periódicos de cada área. O Qualis é um parâmetro com oito estratos de classificação (A1 a A4 e B1 a B4), desenvolvido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), mantido na plataforma Sucupira. Para consultar a classificação da revista, é utilizado o seu título ou ISSN (um código que acompanhado com o nome do periódico). Mas, o Qualis vem mudando ao longo dos anos e estamos esperando a liberação de uma nova classificação pela CAPES.


A qualidade de um periódico pode também ser avaliado pelo fator de impacto, um valor que mede o quanto um artigo de um periódico foi citado. Esse parâmetro é mantido pela Clarivate Analytics, elencando apenas periódicos listados no Science Citation Index Expanded (SCIE) e no Social Sciences Citation Index (SSCI). Porém, existem outras métricas que podem ser usadas para avaliar a qualidade da revista, sendo o CiteScore metrics, SCImago Journal Rank (SJR), Source Normalized Impact per Paper (SNIP), Journal Impact Factor (JIF) e H-index.


Bem, além de conhecer as palavras chaves, as bases de dados, observar a presença de corpo editorial e avaliar a qualidade da revista. Uma leitura criteriosa de um artigo também é um passo importante. Um bom artigo traz uma posição neutra, sem opinião e com um método bem detalhado, descrevendo cada passo realizado, apresentando as limitações que o trabalho possui e medidas para evitar vieses. Os resultados precisam estar relacionados com o método, justamente, para explicar como se chegou a eles. Quando um método é replicado por outros pesquisadores e os resultados são discrepantes, isso indica falhas no método e resultados duvidosos, podendo estar manipulados.


Ao final, um artigo complementa o conhecimento e não traz um ponto final, uma verdade absoluta ou algo milagroso para determinado tema. Bons estudos concluem ligando os resultados com a discussão e sempre destacam a necessidade de novos trabalhos para aumentar mais o conhecimento e validar os novos achados.

Autor: Daniel J. Scheliga

Edição: Daniel J. Scheliga e Selene Elifio Esposito


Fontes:


CAPES, (2016). Plataforma Curupira. Qualis. https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/index.jsf;jsessionid=HTL79awjYh5UFlSDrtKTMPMv.sucupira-218


ELSEVIER. (2022a). Measuring a journal’s impact. https://www.elsevier.com/authors/tools-and-resources/measuring-a-journals-impact


ELSEVER. (2022b). What is Journal Impact Factor? https://scientific-publishing.webshop.elsevier.com/research-process/what-journal-impact-factor/#Find_more_about_What_is_Journal_Impact_Factor_on_Pinterest


SHARMA, M. et al (2014). Journal Impact Factor : Its Use , Significance and Limitations. World Journal of Nuclear Medicine, 13(2), 1. https://doi.org/10.4103/1450-1147.139151


Li, W. (2022, June 15). Peer Review in Science: the pains and problems. Havard - SITN, Science in the News .

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